Comentários por obra
Estações – 1983
Com estas estações do corpo amoroso, Hamilton Faria publica a sua temporada (no inferno) do paraíso transformante.
Sérgio Rubens Sossélla, Jornal Raiz, Paraná, 1987
Muito lhe agradeço a remessa de Estações. Que livro! É sempre agradável ler boa poesia e principalmente assistir ao nascimento de um verdadeiro poeta. Impressionou-me a consistência de sua linguagem, seu forte lirismo, seu jogo verbal astucioso. Palavras contidas, ampla disposição à descoberta do cerne da poesia, senso de seletividade, fazem do seu livro um texto agradável. E o acabamento gráfico torna ainda mais atraente o convívio com a sua produção literária.
Fábio Lucas, crítico de literatura, São Paulo, novembro de 1984
Percorri teus poemas de amor, de revisão amorosa, achados de poeta, coisa aqui e ali de ourivesaria, e fiquei alegre da qualidade generosa do que senti, o Hamilton inteiro na sua perplexidade…
Pedro Garcia, poeta, Rio de Janeiro – RJ
Alegra-me, constatar que o poeta, cuja a obra modestamente contribuímos (através de ENCONTROS COM A CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA) para tornar mais conhecida, revela crescente e constante progresso em sua carreira. Não tenho dúvida, pois, em afirmar que muito em breve, par droit de conquête, você ocupará relevante posição no quadro de nossa literatura contemporânea.
Ênio Silveira, Rio de Janeiro, 02 de janeiro de 1984
Lupiscinal, diria o Otávio Duarte, Você está ótimo: desembaraçado, livre, criativo, personalíssimo.
Sérgio Rubens Sossélla, poeta paranaense, 13 de dezembro de 1984
A apresentação é muito original e requintada, revelando o fino senso estético de quem ilustrou e diagramou as folhas. Cada folha é um quadro. Quanto aos poemas, nota-se, em primeiro lugar, a maneira muito pessoal que você tem de dar o seu recado poético. Uma poesia sintética, despojada de transbordamentos verbais e emotivos. Muito feliz o seu jogo de imagens e aliterações. Se eu tivesse de escolher três de seus poemas escolheria: “Infância”, “Marília” e “Eu não sou o que sou”. Todos, porém, estão muito bem realizados. Você é poeta de verdade.
Helena Kolody, poetisa, Paraná, 08 de junho de 1984
Agradeço-lhe, de todo o coração, os seus belos poemas de “Estações”, introduzidos e publicados nesta linda apresentação gráfica.
Pavla Lidimilivá, crítica literária e poeta, Praga, 14 de janeiro de 1984
Estações – dupla obra de arte: poesia da melhor qualidade literária, apresentação gráfica muito bem cuidada, casando-se com a beleza dos poemas.
Elias José, escritor, 1983
Agradeço o livro Estações que, em tempo oportuno, lerei com o interesso que tenho pela nova produção poética brasileira… Felicitações junto aos leitores e um ano novo pleno de criação.
Nelly Novaes Coelho, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, São Paulo – SP, 3 dezembro de 1983
Acabo de passear pelos caminhos poéticos de “Estações”. O livro está muito bonito. Gosto desse tipo de folhas soltas. Pode-se ler e distribuir para aqueles que realmente sabem o que é poesia… Agora, um recado, sem rebuço: seu livro é realmente de boa feitura, tanto no aspecto visual como no miolo. Nota-se que poema flui como deve ocorrer com a poesia. Destaco: ‘Neusa’, ‘Geografia da Carne’, ‘Infância’, ‘Viagem’.
Emil de Castro, poeta, São Paulo, 1983
Seu livro é um dos melhores que tenho lido ultimamente.
Apparecida Castelar Pinto Conte, poeta e crítica, Vera Cruz, São Paulo, 22 de dezembro de 1983
O medo de deixar-se inundar faz com que Hamilton Faria esconda-se em “Enigmas” e não saber direito em que estação se encontra. Na primavera ama Lúcia, no verão ama Joana, no inverno Maria. Cada uma ilha de desejos em que mergulhar é difícil e por isso o autor vai vivendo o inverso, fazendo versos, mas solto, doidamente solto.
Benedito Carvalho, professor universitário, São Paulo, l983
Sua poesia é muito fluente, o ritmo é gostoso e envolvente. Em “Infância”, pareceu-me ouvir o barulho de gaiolas rasgadas e o ressonar tranqüilo da criança. “Viagem”, maravilha! E a surpresa no seu “neusamente”, explode no desfecho final. Muitas raízes, muita riqueza mineral, material, universo, “enigma” = homem X mulher amor e “meus lábios são o teu beijo”! Marli! Marília! Heloísa! Mulher (es) em “Geografia da Carne” – como é fértil!
Cleide Veronesi, escritora, São Paulo
Em todos os poemas, duas críticas:
1. São desesperadamente belos. Belos. Belos. Não mais. Não menos. Belos na medida exata.
2. E poucos. E curtos: Devorei-os de um só golpe como quem lê um gibi e se entristece quando a estória chega ao fim.
Ernani Fraga, poeta, São Paulo – SP
Sua poesia é limpa, segura, equilibrada. A concepção gráfica também bastante original. Parabéns.
Maria José Giglio, poetisa, São Paulo, “Carne Viva”, Antologia de Poesia Erótica
Cidades do Ser – 1998
Para Hamilton Faria
Revertendo a liberdade ao verso
Sou um servo nesta cidade do ser.
Sérgio Rubens Sossélla, jornal Estado do Paraná, 26 de maio de 1990
Cidades do Ser convida-nos para uma viagem por nossas avenidas principais, nossas alamedas, becos e praças com repuxos d’água. Leva-nos a visitar, ainda, os canais subterrâneos onde proliferam fantasmas, musgos e avencas. Através desta cidade mágica, vislumbramos outras cidades, acima e além de nós, aquelas que pertencem às estrelas e ao desconhecido.
Maria Antonieta Pereira, crítica e professora de literatura e Língua Portuguesa em “Linguagem Surpreendente de Hamilton Faria”, Suplemento Literário de Minas Gerais, Belo Horizonte – MG, 18 de novembro de 1989
Hamilton Faria é um operário laborioso que busca o revigoramento da linguagem, estabelecendo a partir daí uma relação existencial / dialógica com o outro, possibilitando por estes caminhos a libertação do imaginário e a fluidez do sangue nos ossos adormecidos… O seu domínio astucioso e viril da palavra e da emoção é incontestável.
Cleide Simões, crítica literária, “O vôo imaginário de um poeta do Sul”, Jornal Hoje, Belo Horizonte – MG, 15 de maio de 1989
Sempre me admiro com as mágicas que você realiza nos versos. Versos da maior expressão e sonoridade exata.
Sérgio Rubens Sossélla, 04 de janeiro de 1989
A verdade é que Hamilton Faria é um poeta que conhece seu ofício. E disso ele já deu muitas provas nestes tempos de ridículas inversões de valores… o livro de poesia não é um mistério para Hamilton Faria. Pelo contrário: neste livro ele abre o leque de suas observações e sentidos poéticos para elaborar uma poesia de fina beleza, gentil com as palavras e sabedor dos caminhos que está pisando:… Cidades do Ser é uma viagem pelas formas, palavras, inquietações, silêncios, apelos. Um livro de poesia. De bela poesia.
Álvaro Alves de Faria, poeta e crítico, Jornal da Tarde, São Paulo – SP, 1988
Encontrei em seus poemas muito estímulo intelectual, e não pequeno alívio profissional (como editor, recebo quase diariamente execráveis manifestações de péssima poesia e, ainda mais, inquietante desfaçatez), além de versos admiráveis que confirmam antigo vaticínio meu de que iria marcar forte presença.
Ênio Silveira, Editor da Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro – RJ, 1988
A devolução ao homem de seu sentido libertário, de valentia e, principalmente de magia, pretende a poesia de Hamilton Faria, sinalizada em Cidades do Ser, seu terceiro livro… Em resposta ao caos, o poeta, conhecedor de Tanatos, resgata Eros para habitar suas cidades.Adélia Maria Lopes, O Estado do Paraná, Almanaque, 1988
O poeta poetiza a sua própria experiência e a dos outros, ao enganchar nas pedras da existência a sua âncora de fantasia. E dessa matéria bruta extrai a invenção de uma linguagem poética contemporânea, num mergulho escafandrista em universos interiores de sol e delicadeza, de medo e de incerteza e que são os desenlaces do homem in Great City.
Reinoldo Atem, poeta, O Estado do Paraná, Curitiba – PR, 1988
Cidades do Ser é uma viagem pelas formas poéticas, da clássica a moderna, da lírica a concreta, das formas rígidas ao verso branco. Uma linguagem dinâmica que se modifica a todo momento e propõe o resgate da beleza poética… O importante é que nos 58 poemas do livro em nenhum momento está fora do horizonte a linguagem poética.
Revista Tournée, São Bernardo do Campo – SP, 1988
Cidades que nos levam as estrelas, passando pela magia, pelo sol, pelo fogo, pelo vôo. Tudo é mágico, tudo dança, tudo voa nestas cidades. Tudo se transforma magicamente em ritmo, música, luzes… Tudo Eros. Mas Eros de quem sabe Tanatos; luz de quem conhece o escuro… ‘Cidades do Ser’ é plural em todos os sentidos. Do verso lírico ao concreto, do verso branco à métrica rígida; do soneto ao haicai. Com maturidade poética e linguagem elaborada Hamilton Faria constrói estas Cidades, da procura e da dor de ser inteiro ao resumo de tudo – o amor. E visitaremos mágicos, planetas, bailarinas, fontes, pássaros, signos, papoulas, borboletas, damas de azul, mercadores, amantes, corpos, almas, vida e morte, sagrado e profano, as faces múltiplas do ser humano.
Massao Ohno, editor, São Paulo, 1988
Louvo a continuidade do seu trabalho, a vocação inelutável de dizer em palavras toda a perplexidade diante do absurdo da vida. Você oscila entre o erotismo e os ‘gafanhotos de esperança’, dois modos de consagrar-se à força vital.
Fábio Lucas, crítico de literatura, São Paulo, 1988
Seriam Hamiltons esses risos rijos ou relaxados? Que cócegas sente essa alma? Que alma é essa que não dorme e é só alegria? É a fonte vomitando águas cristalinas no curso do riacho!
Claudionor Inácio de Loyola, poeta, 06 de junho de 1986
Vibra em ‘Alguma coisa no ar’ um convite para a revisão e a renovação. Pulsa, nos versos, a inquieta procura de algo inaugural. Seu poema é cachoeira de palavras, tempestade de beleza, vento primordial, varrendo todos os quadrantes da poesia. Seus versos trazem aquela luz mágica que aureola o que você escreve. Além disso, corre, subterrâneo, um rio sutil de ternura.
Helena Kolody, poetisa paranaense, 1985
Encântaros – 1995
Hamilton Faria assume como missão tirar a poesia do estado puramente de livros e levá-la a espaços públicos, para que todos possam ter acesso a ela.
Kazuo, Guia da Vila, São Paulo – SP, 2000
Os poemas de Hamilton Faria impressionam pela simplicidade. Uma simplicidade que concentra tantos sentimentos e potencialidades que os aproximam dos haikais… O livro Encântaros concentra emoção, delicadeza, existencialismo e religiosidade sem pedantismos ou excessos estéticos.
Milena Andrade, em A Condição Humana em versos, Tribuna de Alagoas, 08 de maio de 1998
Sua poesia está decifrando espíritos, escorrendo água por sonhos dormidos e transmutando luz em palavras.
Adélia Maria Lopes, “Um roubo, a poesia e o chuvódromo”, O Estado do Paraná, Curitiba – PR, 06 de julho de 1997
É envolvente a poesia de Hamilton Faria. O conjunto coloca o leitor diante de algo grande, que excede o humano, que quer explodir os limites, que antevê e antegoza o eterno. O único meio de vislumbrar e pregustar este mistério para o qual o poeta se sente irresistivelmente atraído – e é como que sua única realização, e mais, o único ‘descanso’ do homem – é a poesia, a palavra poética criadora.
Marleine Paula Marcondes e Ferreira de Toledo, Profa Dra. do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, artigo em revista da Universidade Estadual Paulista – UNESP, São Paulo, 1996
Uma poesia que atesta a circularidade do tempo mítico, em contraposição ao tempo histórico. O poeta cansou de ser História e quer que, agora, a História dobre-se ao espírito (sua condição de eternidade). Construindo naturalmente novas palavras e expressões sem pedantismos nem transbordamentos excessivos Hamilton Faria ‘vive o escrevido’ numa musicalidade de rimas e ritmos que surpreende logo na primeira leitura. Hamilton Faria também fala pelo feminino. Dizendo o mundo em “fêmina”, acredita na delicadeza e na doçura como condição da emancipação humana.
Raimundo Gadelha e Renato Gonda, poetas São Paulo, São Paulo – SP, 1996
Hamilton Faria usa as palavras com segurança e precisão, com originalidade, tem força no verbo e joga com os sons, trazendo o inesperado na solução poética, sem nunca dizer o óbvio. Sua poesia não lembra ninguém, é Hamiltiana. Uma rosa com perfume, poesia com raízes. Raízes na vida, mas o poeta também tem asas. É um sonhador e um realizador.
Helena Kolody, Curitiba – PR, 1996
Súbitos Encantos para São Pedra e Espanto – 2000
Gostaria de felicitá-lo pela obra, que, embora voltada para São Paulo, sabe captar ‘espantos’ presentes em diversas outras cidades, como é o caso da minha, menos “pedra” e mais ‘areia e mar’, mas onde, no escuro da esquina, também sorri a agonia. Sua poesia não se reduz a espantos, contudo. Traz sentimentos positivos, lirismo e sensibilidade, aliados a uma bela composição gráfica, pela qual estendo minhas felicitações, igualmente, a fotógrafa Lena Beauty.
Fernando Jacques de Magalhães Pimenta, Cônsul – Geral do Brasil em Montreal – Canadá, julho de 2000
Os poemas de Hamilton Faria, ao afoito leitor, podem parecer um toque de verniz, à aparência das coisas – temas. Além de remoçar detalhes de paisagens – prédios, esculturas, bocas, olhos, miséria, riso, vida e morte – o que já é uma virtude, o poeta fisga a alma dos temas. E, até próximo da percepção poundiana da fanopéia (imagens sobre a imaginação visual), acrescenta ainda a emoção. Esse sentimento que faz do poeta consistente escultor da expectativa da emoção, às vezes sem açúcar e sem afeto. Mas emoção, que, mesmo em verso preciso, desabrocha na plástica natureza das palavras, na fronteira tênue entre o divino e o profano e insinua risos e lágrimas… Súbitos Encantos para São Pedra e Espanto, ao que parece não se propõe a ser canto. Mas enaltece pormenores da mitológica cidade e seu universo de deuses. Legendas criativas para fotos idem. Uma leitura substantiva, que renderá muitos adjetivos.
Silvio Oricolli, Gazeta Mercantil, 16 de dezembro de 2000
Meninos de rua, mitologia urbana ou efeitos colaterais do progresso. Seja qual for o assunto, Faria recorre à palavra enérgica, ao poema sucinto e à consolidação do carrossel entre ricos e pobres, nativos e imigrantes. Lembra os concretistas Décio Pignatari e os irmãos Haroldo e Augusto de Campos, além de Mário Chamie, expoente da poesia práxis… nesse conjunto de tendências Nietzsche tem cadeira cativa, uma vez que Hamilton Faria reverte o caos em beleza, comumente exemplificada pela flor no cimento. “Súbitos Encantos” é poesia a serviço da filosofia.
Cássio Gomes Neves, Diário do Grande ABC, 20 de novembro de 2000
Ouro para o Súbitos Encantos para São Pedra e Espanto. Impressionante interação Poesia e Fotos! Parabéns a ambos: poeta e artista/fotógrafa! Adorei!
Nelly Novaes Coelho, SP, 18.01.2008
Haikuazes – 2006
Cumprimento-o pelo alto nível lírico do livro Haikuazes – nele há toda uma série de poemas inesquecíveis. Teus sonhos/Iluminam/O coração/ Dos homens.
Milton de Godoy Campos, escritor, poeta, crítico, 25.04.2007
Caríssimo poeta Hamilton Faria:
Ao retornar de férias, recebi Haikuazes, seu belo poemário com ‘haicais’ sui generis, marcados pela simplicidade e sabedoria. Muito obrigado pela oportunidade de tomar contato com sua arte poética com essas características. Parabéns com um forte abraço do seu admirador.
Antonio Possidonio Sampaio, escritor
Os poemas, os desenhos – que delicadeza, que encanto. Sinto-me tosca pra te escrever. Mais uma vez você surpreende, se reinventa e reinventa o mundo pra nós. Uma delicia te rever, tão pleno, tão alegre, tão vibrante!
Marta Gil, leitora
Devorei os Haikuazes. Sensível, complexo, saboroso, sem concessões.
André Martinez, consultor cultural
Los Haikuazes dan cuenta de uma búsqueda literária y lúdica, sin prisa y sin excesos, con abundantes destellos de intuición y sensibilidad.
Rasia Friedler, escritora uruguaia
Hamilton Faria sabe lidar com as palavras, sendo o poeta que é, longe das badalações literárias e compromissado especialmente com um trabalho árduo que é o poema, que é a poesia: ‘Pequena estrela/ Solitária habita/ minha vida precária’, escreve em A estrela e o precário. Rêverie diz: ‘Envelhecer/ Como uma luz/ Azul’. Outro pequeno poema, (In) Permanência, confirma o rumo poético de Hamilton Faria: ‘Poesia não pare de rodar/ O mundo é circular’. Sobretudo inteligente, coisa rara. Só um poeta de verdade poderia escrever o poema Eremita: ‘Na estrada um velho/ À procura do imutável/ Descobre o eterno’.
Álvaro Alves de Faria, poeta
Haikuazes, – minúsculas bolhas poéticas que eternizam a visão fugaz de um momento especial, de um pensamento ou de um olhar de sabedoria que, num relance, capta o essencial do visto ou pensado. Sempre me encanta esse poder do poeta: transformar, em palavras, vivências voláteis que surgem e desaparecem no invisível efêmero, onde moram nossas emoções e verdadeira vida.
Nelly Novaes Coelho, escritora e ensaísta
Enfim, uma poética que propõe novos mundos e olhares revigorantes da vida. A lógica que preside a poética de Hamilton Faria é a do deslocamento da linha reta cartesiana, pois os valores da mercadoria como único horizonte de vida e morte, predominantes em nosso cotidiano, são atacados poeticamente nesses textos que buscam o reencantamento do mundo, mas que também procuram a linguagem que esqueceu de nomear o maravilhamento das coisas.
Valmir de Souza, doutor em literatura pela Universidade de São Paulo, professor universitário
Com talento de poeta e de mestre, Hamilton Faria realiza uma sutil alquimia literária em seus magistrais Haikuazes : cria palavras originais, faz associações inesperadas, inventa conotações inéditas. Seu livro é um caleidoscópio de poemas sintéticos, de ritmo rápido. O leitor mergulha nos haikuazes, esquece o tempo, impregna-se de sonho, de emoção, de pensamento. Cada poema é um vinho concentrado de muitos sumos. Quem o sorve devagar, vai descobrindo o sabor das raízes e o perfume das flores que originaram. Inebria-se de essência poética.
Helena Kolody, poetisa